quinta-feira, 30 de março de 2017

DENTRO DA TELA LET'S PLAY


O post de hoje serve para divulgar um novo projeto que estou desenvolvendo com os amigos Rafael Sinnott (quadrinista independente autor da apoteótica história em quadrinhos de artes marciais Rising Destiny, da qual já tive a honra de fazer parte revisando textos) e Bruna Dias (gamemaker experimental interessada por ambiente e espacialidade no videogame, com quem já tive o prazer de fazer algumas colaborações, e minha colega no podcast Ataque). Mas esse projeto não é nem um jogo e muito menos uma história em quadrinhos. É um canal de Youtube mesmo.

Dentro da Tela segue o formato consolidado pelos Game Grumps, e popularizado no Brasil pelo Cartuchito: gameplay com edição minimalista e comentários livres em tempo real - digressões são a regra. O resultado pode ser uma verborragia preconceituosa, um show de ingenuidade e desinformação ou uma conversa divertida entre amigos. Pode ser qualquer coisa, e esse é o potencial tanto negativo quanto positivo do formato.

Desde que Pewdiepie e Jontron (um dos fundadores originais do Game Grumps) estão botando suas asinhas (um tanto verdes) de fora, endossando o imaginário racista que povoa uma comunidade gamer cada vez mais ignorante a respeito da história multicultural do videogame, tenho pensado por que a esquerda ainda não chegou no Youtube dos joguinhos. Por que ouvimos falar apenas de "youtuber apóia a direita alternativa" e não de "youtuber apóia a revolução curda"? Talvez a esquerda tenha medo de soar ridícula, já que youtubers são todos dignos de riso. Mas talvez milhões de curtidores/visualizadores/seguidores - PESSOAS, afinal - não estejam rindo. E talvez estejam se formando e informando a partir de visões de mundo constipadas por um entretenimentismo despolitizado.

Dentro da Tela é menos propaganda de esquerda do que este post pode fazer parecer. Mas acho que, se as pessoas dedicadas a produzir o comentário estiverem comprometidas com um determinado projeto de sociedade, o conteúdo será naturalmente um espelho disso - mesmo que não explicitamente. É nossa maneira modesta de dizer que somos parte da comunidade do videogame e que nos preocupamos com ela, assim como nos preocupamos com nossas casas, nossos locais de trabalho e nossas cidades.

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